Novidades

Sustentabilidade para a economia criativa: a trajetória da Laje ESG

O cenário era o de reabertura pós-pandemia, e a arquiteta baiana Leide Laje havia acabado de se mudar para São Paulo para concluir seu mestrado na USP. A cidade, que vive um momento de efervescência cultural, é palco de alguns dos maiores festivais de música do país – e foi durante um deles que Leide testemunhou uma dinâmica que a deixou inquieta.

Na saída do festival, milhares de pessoas trocavam seus cartões de consumo por uma garrafa de água. A primeira vista, a ação pode ser vista como positiva – para o festival, é uma maneira simples e garantida de recuperar os cartões; para quem está curtindo o festival, é um brinde gratuito. No entanto, o que Leide notou naquele dia foi uma multidão recebendo centenas de embalagens de plástico e as descartando quase instantaneamente nas calçadas. O trajeto até a saída do festival foi marcado por um rastro de lixo, formado por garrafas cheias e vazias forrando o chão.

Naquele momento ,para Leide, tornou-se impossível “desver” o problema. E foi exatamente dessa indignação que nasceu a faísca para a criação da Laje ESG.

Tecnologia ESG para quem faz cultura

O que começou como um incômodo pontual virou uma solução completa. Hoje, a Laje ESG apoia a construção de infraestrutura de sustentabilidade e tecnologia para quem faz a economia criativa e o esporte acontecerem. Atuando sob medida em oito diferentes segmentos — que vão desde grandes festivais de música e produções audiovisuais até feiras e jogos de futebol. 

Para garantir que o impacto não fique apenas no discurso, a empresa apoia-se em metodologias globais de alto rigor técnico, como a ISO 20121, GRI Standards e o GHG Protocol Brasil. Na prática, isso se desdobra em soluções integradas que englobam a construção de toda a jornada ESG, elaboração de inventários de carbono e projetos desenhados para necessidades únicas. 

Toda essa inteligência cultural e tecnológica reflete em resultados expressivos desde 2022. Com atuação em cinco estados brasileiros, a Laje ESG ultrapassou a marca de 35 eventos atendidos e mais de 27 projetos executados, catalogando dezenas de ações padronizadas. No balanço ambiental e social, já são mais de 420 toneladas de CO2 equivalente compensadas, além de 50 toneladas de resíduos monitorados e desviados de aterros sanitários com o apoio de 12 cooperativas devidamente integradas. Esse lastro de impacto e inovações históricas, como a realização do primeiro inventário de carbono de um trio elétrico no país, consolidam a Laje na operação de clientes de peso, como AFROPUNK Brasil, Festival de Verão, Feira Preta e Ambev.

A semente da Laje

Embora a Laje ESG tenha nascido em São Paulo, sua raiz vem de muito antes, moldada na infância de Leide Laje em Salvador. Para ela, a sustentabilidade nunca foi apenas um conceito técnico, mas um modo de vida. Tendo crescido em uma casa projetada com iluminação e ventilação naturais, o cuidado com a saúde começava com o que era cultivado no próprio quintal. E essa bagagem acompanhou Leide durante a graduação em arquitetura: enquanto os projetos acadêmicos seguiam padrões tradicionais, ela priorizava soluções sustentáveis em seus trabalhos. Já no mercado, consolidou sua carreira em projetos de eficiência energética, conectando viés ambiental e impacto social de forma técnica e objetiva.

Quando Leide chegou a São Paulo, a estrutura da empresa já estava latente e o impacto causado pelo desperdício de garrafas d’água nos festivais serviu como o catalisador final. Inicialmente, a ideia era criar um perfil no Instagram para monitorar e analisar as práticas dos eventos, mas o viés de negócios prevaleceu.

“Eu tenho um talento muito maior para negócios do que para o Instagram”, brinca a fundadora. “Então, o negócio acabou saindo e crescendo, e o Instagram, não.”

De forma orgânica, a indignação virou um plano de negócios sólido. Em junho ela teve a ideia; em outubro, seu primeiro contrato estava fechado.

O trabalho começou focado em resolver dores específicas de festivais. O primeiro cliente, por exemplo, precisava resolver problemas de acessibilidade após ser criticado nas redes sociais. Leide entrou com a visão ampla: acessibilidade não é só construir uma rampa. Da mesma forma, gestão de lixo não é só esconder a coleta seletiva nos fundos do evento. Ela inovou ao trazer as estações de reciclagem para o meio do público, integrando catadores como parte central da operação e transformando a educação ambiental em ativação de marca. Com o tempo, a Laje passou a gerenciar operações completas em grandes festivais, expandindo sua atuação para setores com desafios distintos.

Hoje, a empresa atua de forma robusta e personalizada, encarando as barreiras específicas de cada setor. No segmento de eventos e festivais, o maior obstáculo operacional é a coleta e o rastreio rigoroso de dados para inventários de carbono precisos. Já no setor audiovisual, a principal barreira é o tempo; a agilidade frenética dos sets exige estratégias que protejam o bem-estar da equipe sem comprometer o cronograma de gravação. Por fim, o esporte e o futebol representam um território que ainda dá seus primeiros passos, onde o grande desafio é superar barreiras culturais para que os clubes entendam o ESG como uma estratégia de investimento e diferencial de mercado, e não apenas como um custo burocrático.

Impacto na prática: BaianaSystem e Suvinil

É justamente ao mapear e superar as particularidades de cada um desses cenários que a metodologia da Laje ESG consegue gerar transformações tangíveis. Dois grandes cases ilustram o poder prático dessa atuação. Durante o Carnaval de Salvador, em uma parceria envolvendo o BaianaSystem e o Conselho Britânico, a empresa realizou o primeiro inventário de carbono de um trio elétrico no Brasil. O projeto compensou emissões com o plantio de 1.100 árvores junto a comunidades quilombolas e estruturou frentes de impacto direto para ambulantes, baianas de acarajé e catadores — incluindo a integração de pessoas em situação de rua na operação. 

Foto: Mateus Fernandes/ASCO LAJE ESG


Já no ambiente corporativo, uma parceria com a Suvinil demonstrou a viabilidade da economia circular em grande escala. Após o término das feiras, os estandes da marca passaram por um processo focado em desmontagem inteligente. Em vez de entulho e desperdício, os materiais foram transformados em legado social: tapetes de courino foram redirecionados para encapar macas de ambulatórios médicos, enquanto madeiras e tintas ajudaram a construir cenários teatrais e salas de capacitação na ONG Florescer. Essa operação resultou em sete iniciativas distribuídas por quatro comunidades, impactando positivamente a vida de mais de 2.000 crianças e adultos.

Os desafios do ESG

Entregar resultados com esse nível de profundidade e legado social, no entanto, vai na contramão de boa parte da indústria. Transformar o mercado de entretenimento não é tarefa simples. O maior desafio externo que a Laje enfrenta hoje é o “hype” — a vontade de algumas marcas de parecerem sustentáveis sem a substância necessária para uma mudança de cultura real. É a luta diária contra projetos que querem apenas cumprir o roteiro de um patrocinador.

“Existem projetos onde vamos entregar tudo que acho que tem que ser feito, com pautas sólidas e construções verdadeiras; e tem projetos onde a gente não existe espaço para uma mudança de cultura estrutural.”, Leide conta. “É um trabalho que muitas vezes precisa ser refeito quase do zero..”

Para combater isso, a Laje exige uma visão de ESG integrada. O mercado costuma focar apenas na gestão de resíduos ou na compra de créditos de carbono, negligenciando o “S” (Social) e o “G” (Governança). Para a startup, um projeto só é verdadeiramente sustentável se equilibrar os três pilares, gerando dados rastreáveis e impactando comunidades tradicionais e locais de forma mensurável.

Aceleração e Tecnologia: Escalando com propósito

Manter essa visão integrada inegociável trouxe, no entanto, um novo obstáculo. Com o negócio validado e crescendo, surgiu o maior desafio interno da Laje ESG: como escalar a operação e abraçar projetos maiores sem perder a integridade da entrega, a metodologia técnica e o cuidado profundo com as comunidades tradicionais e os catadores.

Foi exatamente nesse momento de inflexão que a Laje ingressou no programa de aceleração BNDES Garagem. Em sua primeira experiência com uma iniciativa desse tipo, Leide confessa que esperava um processo mais padrão e superficial.

 “Eu achei que seria mais protocolar, focado apenas em cumprir tarefas burocráticas e preencher planilhas de um plano de ação engessado.” 

A jornada, no entanto,  a surpreendeu positivamente. Leide conta que o programa ofereceu um ecossistema de trocas ricas, onde cada conversa abria novas portas, e que o entusiasmo da rede de mentores, gestores e outros negócios funcionou como um combustível essencial, dando à empreendedora a segurança necessária nos momentos de tensão.

E foi essa rede de apoio que clareou a visão da empresa para um caminho escalável. A aceleração permitiu que a Laje deixasse de ser apenas uma consultoria de execução manual para se estruturar através da lógica de plataforma, para atingir um crescimento muito mais acelerado. “A gente conseguiu transformar em realidade essa ideia de crescer através da tecnologia”, celebra Leide. “Não imaginava que em tempo recorde teríamos o protótipo de uma plataforma, e isso leva as nossas conversas comerciais para outro patamar.” 

O que vem a seguir

Anteriormente, o foco da Laje ESG estava voltado primordialmente à excelência na execução operacional. Com a estruturação e o domínio desses processos, a prioridade migrou para a expansão comercial e o escalonamento estratégico do negócio. A participação no BNDES Garagem proporcionou a clareza necessária para compreender como a tecnologia e a inteligência artificial poderiam ser integradas para potencializar o crescimento. Se em novembro de 2025 a meta era meramente ampliar o volume de projetos, hoje o objetivo é a escala multiplataforma, permitindo que a empresa atue em diversos nichos de forma simultânea e integrada, sem a necessidade de escolhas restritivas.

Leide sintetiza essa virada de chave: “Antes, o nosso foco era muito no fazer – agora, se torna muito mais vender. O que faltava era o como e para onde crescer, e o Garagem trouxe isso de forma muito nítida. Entendemos onde inserir tecnologia e inteligência artificial no negócio.”

Com essa nova mentalidade, a energia que antes era concentrada na operação agora é redirecionada para a busca por investimentos e o fortalecimento do ecossistema. A Laje ESG consolida-se, assim, não apenas como uma consultoria, mas como a base tecnológica definitiva para garantir que o entretenimento e o esporte no Brasil avancem com rigor técnico e responsabilidade social.

Para descobrir mais sobre essas soluções e acompanhar os próximos projetos, acesse os canais oficiais da Laje ESG:

Site oficial: https://lajeesg.com/

Instagram: https://www.instagram.com/laje.esg/